Nascida em Campina Grande, filha de Dona Basta, uma mulher negra, trabalhadora doméstica e mãe solo, estudou em escola pública e ingressou no curso de Serviço Social da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), onde se graduou e concluiu mestrado na área.
Sua atuação política começou desde cedo, no movimento estudantil, chegando a fazer parte do Centro Acadêmico de Serviço Social e concorrendo às eleições do Diretório +Central dos estudantes da UEPB. No segmento juventudes, a militância inicia com a aproximação das atividades da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), e depois integrando a Associação de Juventude pelo Resgate a Cultura e Cidadania (Ajurcc), da qual é sócia-fundadora.
Integrou diversas discussões, congressos e seminários em âmbitos nacional e internacional, sempre com foco em políticas públicas e ações voltadas para os segmentos mais vulneráveis. Nesse universo, participou ativamente de espaços de decisão e articulação, como o Conselho Municipal do Orçamento Participativo, Conselho Municipal de Políticas para as Mulheres, Conselho Estadual de Juventude da Paraíba (Cejup) e a Rede de Jovens do Nordeste. Em 2015, participou da organização estadual da Marcha Nacional das Mulheres Negras.
A inserção de Jô Oliveira na política partidária se deu com o ingresso na universidade, e no ano de 2016, disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara Municipal de Campina Grande, obtendo 1.544 votos, ficando assim na primeira suplência, mas nunca chegando a assumir.
Em 2020, disputando novamente o pleito eleitoral para a mesma vaga, alcança a vitória com 3.050 votos, entrando para a história como a primeira mulher negra a ser eleita vereadora em Campina Grande/PB.
Em 2022, com pouco mais de um ano e meio de mandato, colocou mais uma vez seu nome à disposição para a disputa eleitoral, concorrendo a uma vaga para deputada estadual, onde obteve 20.785 votos, sendo 11.756 deles apenas em Campina Grande, se consolidando como uma liderança progressista no município, e no estado da Paraíba, e ficando na primeira suplência da federação PT/PCdoB e PV.
Uma construção coletiva
A eleição de Jô Oliveira é também uma vitória de diversos grupos, entidades e pessoas de Campina Grande, que apoiaram e ajudaram a construir esse projeto político. Eleger uma mulher, negra e periférica, com o perfil de luta e militância social de Jô, ajuda a suprir ausências de pautas que precisam ser apresentadas e debatidas no legislativo municipal. Com isso, se espera construir, para além de projetos de leis, possibilidades reais para melhoria da qualidade de vida das pessoas, sobretudo das pessoas em situação social mais vulnerável.
Segundo bem afirma Jô Oliveira: “Acredito que um legislativo mais eficiente se faz com representatividade, participação social e com o debate sobre a realidade do município a partir das verdadeiras demandas da população".
Para ela, a política é vista assim como um desafio de representação, por entender que, enquanto mulher, negra e periférica, não consegue se reconhecer nas discussões e pautas da Câmara de Vereadores (as) de Campina Grande, uma vez que não contemplam os anseios e as necessidades da população mais pobre da Rainha da Borborema.
Por isso, seu propósito sempre foi fazer do mandato, e ajudar a fazer da Casa de Félix Araújo, um espaço plural, diverso e representativo, que de fato contemple as pautas e demandas da população de nossa cidade.
Suas principais bandeiras são a defesa dos direitos das mulheres, da população LGBTQIAP+, da periferia, das pessoas com deficiência, e da população idosa, com foco nas mulheres negras e juventudes, segmentos que estão diretamente articulados às demandas de saúde, educação, assistência social, cultura, o direito à cidade, e a defesa do direito à vida.
Em quase três anos de mandato, Jô Oliveira acumula mais de 1200 proposituras apresentadas à Câmara Municipal de Campina Grande
Uma intensa produção legislativa! Jô Oliveira já possui 1352 proposituras protocoladas junto à Câmara Municipal de Campina Grande (CMCG), sendo 89 projetos de lei, 1032 requerimentos, 72 pedidos de informações, 121 emendas e 38 projetos de resolução. Para além dessa produção legislativa, a parlamentar também vem dialogando com diversos movimentos e organizações populares, além de representações políticas e institucionais, buscando realizar ações e propostas em conjunto, e com isso vem marcando seu nome na história do legislativo municipal.
Essa forma de trabalho coletiva a parlamentar trouxe de sua experiência com os movimentos sociais e populares. Jô Oliveira acredita que seu trabalho legislativo deve estar em constante diálogo com a sociedade, em toda sua diversidade, para que possa realmente corresponder e refletir às necessidades do povo campinense.
“Muitas vezes vemos leis que não refletem as necessidades das pessoas, que foram construídas sem a colaboração dos diversos setores envolvidos, que poderiam enriquecer o debate. Por isso, a gente procura sempre esse diálogo com as pessoas e com as entidades que podem contribuir com uma determinada pauta. Por muitas vezes também dialogamos com o poder judiciário, buscando dados que podem melhor orientar nossas ações, e entendendo as necessidades, para assim podermos contribuir através do nosso trabalho legislativo, como é o caso do PL, hoje já sancionado, que criar o mapa da violência contra a mulher aqui no município”, destacou a vereadora.
Para além da produção legislativa, Jô Oliveira também trouxe à CMCG debates importantes por meio de audiências públicas ou sessões especiais, que pautaram temas como educação, cultura, violência contra a pessoa idosa, direito à cidade, saúde, primeira infância, direitos das mulheres, transporte público, população em situação de rua e outros. Em todos esses momentos, representações da sociedade civil puderam ser ouvidas, contribuindo com o trabalho legislativo da vereadora e dos demais parlamentares presentes nas discussões.
A vereadora também esteve nas ruas, nos bairros, conversando com as pessoas, visitando postos de saúde, escolas, creches, hospitais, e tantos outros equipamentos essenciais à garantia de direitos da população. Durante os debates sobre o orçamento público, desenvolveu o projeto ‘Comunidade Participa’, que levou esse debate a vários bairros e grupos do município e recolheu demandas da população que poderiam ser apresentadas em forma de emendas orçamentárias, ou mesmo por meio de projetos de lei e requerimentos.
“O ‘Comunidade Participa’ foi mais uma ferramenta para que pudéssemos construir de forma coletiva, conhecendo as demandas das pessoas, e podendo apresentá-las através da nossa atuação na Câmara. Pelas nossas redes sociais também recebemos muitas demandas, e esse canal aberto de diálogo com a população é essencial para o nosso trabalho como vereadora”, enfatizou Jô Oliveira.
Em meio a toda essa produção, algumas proposituras já foram sancionadas, como o Programa Bicicletar, que pretende melhorar a mobilidade urbana e estimular o uso da bicicleta como meio de transporte; o Dia Municipal do Coco de Roda, estimulando a cultura popular do município; o projeto de resolução que levou o direito à licença paternidade e licença maternidade aos vereadores e vereadoras da CMCG; o PL que trata da criação do Mapa da Violência Contra a Mulher em Campina Grande; o Programa de Enfrentamento à Pobreza Menstrual; o projeto de lei que trata do uso de fogos de artifício silenciosos (com baixo estampido) e o Programa Socioambiental de Coleta Seletiva Solidária.
Também são proposituras da vereadora Jô Oliveira o projeto de lei 207/2023 que trata da criação da Política Municipal de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), bem como a PL 27/2023 que estabelece a obrigatoriedade de realização de triagem precoce de sintomas do Transtorno do Espectro Autista (TEA) para crianças de 0 a 3 meses, nascidas em clínicas, maternidades e hospitais públicos e conveniados ao Sistema Único de Saúde (Sus) no município de Campina Grande. Além dessas duas propostas, o PL 158/2023 ainda estabelece a prioridade de atendimento para pessoas com TEA em unidades públicas e privadas de saúde, bem como repartições públicas e estabelecimentos privados de Campina Grande. Quanto à saúde, é também proposta da vereadora, a criação da Semana Municipal de Mobilização para Doação de Medula Óssea (Lei Betina Maria Montenegro), que tem o objetivo de incentivar o cadastro de doadores aqui no município, esclarecendo sobre o funcionamento de todo o processo, como se dá a doação e o potencial e importância desse procedimento para salvar vidas.
Jô Oliveira propôs também a criação do Programa ‘Vamos Proteger: Crianças e Adolescentes das Violências’, além do Programa de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Sexual e Demais Crimes Contra a Dignidade Sexual e à Violência Sexual, na Administração Pública de Campina Grande (PL 407/2023).





